O mundo canta as distrações infantis do adulto que se distrai tanto com imperfeições pessoais, comportamentais, estruturais, banais... E o infantil onde fica? perdido nos encontros da chuva com a terra, no perfume único que tal simbiose produz. Fica perdido nas folhas secas que não são mortas, mas, distraídas, são colhidas pelo vento dos outonos amarelecidos, não velhos: fecundação para flores novas e verdes de matizes recém-criadas. A essência se perde nas distrações incultas, insólitas e estéreis de quem perdeu a beleza de ser quem é. O mundo muitas vezes culpado de tantos crimes, de tantas perdas, de tantos vazios nem perdeu a essência de ser belo, incompreensível, mas misteriosamente belo.
Inseparáveis
Nada há que se fazer quando a noite vem. Apenas ficam marcas de uma identidade qual pegadas de sorrisos e brincadeiras passadas. As luas não são mais as mesmas, não há estrelas para contar. Não há raios, prata nem luar. Somente um sabor de ausência e a lacuna do que já se foi para longe... muito além do que se possa escrever, falar ou sentir. O frio da manhã congela o pranto do meu ser. Branca, gélida manhã sem canto, sem cor, sem pipa. Neve que fere e emudece a dor que grita em meu peito: metade minha que se fez parte metade minha que partiu parte minha que se foi parte minha que não está mais. Metade minha que ainda é... Vida a voar no meu céu... Voz a ecoar na minha noite... Riso a pintar o meu dia.